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Cerca de 1 milhão de portugueses sofre de Fibromialgia, dos quais 90% são mulheres com idades compreendidas entre os 30 e os 50 anos.

A fibromialgia é caracterizada como sendo uma condição reumática não deformante, onde estão presentes dores musculares difusas do tipo crónico, em especial na região lombar, ombros, região interescapular e pescoço.

Medicina Ocidental

Várias pesquisas concluem que os pacientes afetados por esta patologia, indicam que são frequentes alterações na receção dos neurotransmissores. Estas alterações, podem ser resultado de stress prolongado grave, tais como depressão maior e ansiedade. A dor constante pode dever-se a problemas no sistema dopaminérgico, no sistema serotoninérgico (desordens no sono), nas hormonas de crescimento, no funcionamento das mitocôndrias e/ou no sistema endócrino (hormonas da tiroide e crescimento exagerado da hipófise).

Manifestações Clínicas

Não obstante a dor constante e de difícil localização, os pacientes reportam distúrbios de sono e fadiga. A fadiga é sentida logo ao despertar e vai desaparecendo cerca de uma hora depois, surgindo também a meio da tarde, em alguns casos. O sono não é tranquilo e reparador, podendo ocorrer o despertar precoce.

Esta patologia pode apresentar ainda outros sintomas, tais como: vertigem, boca e olhos secos, depressão, cefaleia tensional, sensibilidade a alguns alimentos e medicação, rigidez corporal e disfunção da articulação temporo-mandibular (ATM). Os pacientes podem desenvolver igualmente a síndrome do colon irritável o que pode levar a dor abdominal, obstipação ou diarreia e distensão abdominal.

O aspeto psicológico deve ser sempre considerado na condução dos casos pelo clínico, dado que a depressão está presente em cerca de 25% dos casos, sendo que 50% dos pacientes também relatam antecedentes depressivos.

Outros pacientes apresentam ainda intolerância alimentar a alimentos como o trigo, açúcar, chocolate, cafeína, derivados de leite, assim como ao álcool. A maioria dos pacientes não reage bem a climas frios e húmidos, dado que pioram a sua condição, melhorando, contudo, quando fazem uso do calor.

Diagnóstico Diferencial

Apesar dos diversos estudos que têm vindo a ser realizados relativamente à fibromialgia, ainda não existem exames que comprovem a doença, pelo que o diagnóstico clínico resulta da interpretação das queixas do paciente.

Existem, no entanto, em termos clínicos, quatro quadros patológicos bastante semelhantes à fibromialgia que necessitam de ser analisados e descartados no momento do diagnóstico. O primeiro é a dor por tensão muscular, causada por problemas emocionais somatizados ou pelo uso excessivo dos músculos; segue-se, sem nenhuma ordem especifica: o Síndrome Miofascial, ou seja, a lesão muscular criada por um trauma ou microtraumas repetidos na massa do músculo, o Síndrome da Fadiga Crónica, que se caracteriza por um cansaço crónico, aparecimento frequente de febre, faringite, dor axilar, muscular, cervical de início repentino e que tenha surgido depois de uma constipação e, finalmente, o Reumatismo Psicogénico cujos sintomas são o aparecimento de dor de origem psicológica por todo o corpo, sem ter influência do clima e fatores emocionais significativos que levam à somatização da dor muscular.

Tratamento na Medicina Ocidental

O tratamento é diversificado dado que não existe uma causa para a etiologia da doença. Assim, são prescritos aos pacientes portadores de fibromialgia: antidepressivos, relaxantes musculares, ansiolíticos, analgésicos, massagens, exercícios físicos, e por vezes, dieta.

Atualmente, está a aumentar o número de médicos de medicina ocidental que aconselham a Medicina Tradicional Chinesa como terapêutica para o alívio da dor. A Medicina Tradi

cional Chinesa A MTC pode ajudar os fibromiálgicos em questões como o alívio da dor, distúrbios do sono, perturbações intestinais resultantes da síndrome do cólon irritável, ansiedade, entre outras.

De acordo com a MTC, são três os fatores que se encontram envolvidos na patologia em questão: o Qi (energia vital do Ser Humano), o Xue (sangue) e o Fígado. A dor é sinal de estagnação da circulação do Qi no corpo, logo se o Qi não circula nos canais e meridianos de forma fluida, a circulação do sangue é prejudicada. Como o Fígado, segundo a MTC, é o órgão responsável pelo livre fluxo de Qi e de sangue no corpo, também ele se encontra envolvido nos casos de fibromialgia. Para além disso, o Fígado é também responsável pela regulação das emoções, pelo que se torna importante a avaliação das emoções e da vida psicológica do paciente. Manifestações da deficiência de Xue (sangue) podem ser: hemorragias ou falha da produção ou circulação de sangue pelo corpo. O Estômago e o Baço são os responsáveis pela produção de sangue, pelo que em caso de face e lábios pálidos, insónia, palpitações, visão turva, vertigem, atraso menstrual ou amenorreia (ausência de menstruação), estes devem ser trabalhados clinicamente.

Já a estagnação de Qi pode manifestar-se através de sensação de opressão torácica, depressão ou estados de irritabilidade, dor migratória em distensão para os hipocôndrios e baixo ventre, tendência para suspirar, massas abdominais (ex: miomas, etc), dismenorreia (cólica menstrual) ou amenorreia.

Princípio de tratamento

Na Fibromialgia, o tratamento deve focar-se em promover o livre fluxo do Qi, em nutrir o Xue e o Qi e regular as funções do Fígado. Devem ser escolhidos pontos dos meridianos do Fígado, Vesícula Biliar (acoplado do Fígado), Estômago, Baço e também do Coração, nos casos de perturbações do sono.

Dietética

Os pacientes afetados por fibromialgia devem fazer uma alimentação rica em potássio (ajuda a reduzir e evitar a fraqueza muscular e as cãimbras), magnésio (ajuda a melhorar a circulação e a relaxar os músculos) e ómega 3 (funciona como anti-inflamatório e alivia a dor).

Alimentos ricos em Potássio: maçã, banana, ervilhas, beterraba;

Alimentos ricos em Magnésio: alcachofra, abacate e sementes;

Alimentos ricos em Omega 3: salmão, sardinha, nozes e sementes de chia.

E, não se esqueçam…
…Sorriam com saúde!!!

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